Entrevista – Victor Bonini

 

Este escritor brasileiro que mora em Nova York é fã de Agatha Christie, de Harry Potter, da sua namorada Mariana e de escrever com uma xícara de café ao lado.

Hoje, no Revelando Entrevistas, Victor Bonini conta sobre o processo de criação literária que passa desde os 14 anos (sim, quartorze-anos-minha-gente) e que, até agora, resultou em três romances publicados, uma adaptação à TV e muitos projetos em vista.

Boa leitura!

 

Raio-X – Victor Bonini
Um livro: O Sol É Para Todos, de Harper Lee.
Um autor: Stephen King (meu mais recente crush literário).
Um filme: Harry Potter (todos).
Uma pessoa no mundo: Mariana Janjacomo (namorada e revisora).

 

Curiosidades
Qual é seu signo? Aquário.
Você é destro ou canhoto? Destro.
Onde você costuma escrever? Onde der! Na maior parte do tempo, em casa.
Quando (manhã, tarde, noite)? Depende de quando tenho tempo livre.
Como (papel e lápis, papel e caneta, computador, tablet)? Computador.
Uma bebida para escrever: Café e chá, intercalados.

  

 

R.I.: Como foi o seu início no meio literário?

@boninivictor: Uma vez que o autor acha que o mais difícil já foi (escrever o livro), vem aquele que eu considero o maior desafio: entrar no mercado editorial. Ainda mais no Brasil, que tem um mercado pequeno, dado o tamanho da população. Considerando que o brasileiro lê pouco ao longo da vida e quando lê costuma preferir um livro de autor estrangeiro, é realmente difícil ao novo autor nacional estourar a bolha e ser lançado. No meu caso, não tenho dúvida de que foi uma junção de sorte com saber para qual lado atirar. Sendo estudante de jornalismo na época em que terminei meu primeiro romance, Colega de Quarto, eu sabia onde conseguir informações sobre editoras que estivessem em busca de novos autores de literatura de gênero (como o romance policial é muitas vezes identificado). Com isso, me mantive antenado até saber sobre a Faro Editorial, casa que estava nascendo em busca de lançar novos e jovens autores. Foi a porta que eu precisava abrir para começar a carreira literária.

 

R.I.: Com quantos anos você começou a escrever suas próprias histórias?

@boninivictor: Eu comecei a escrever histórias por diversão mais ou menos quando eu tinha treze anos, de fanfics de Harry Potter a histórias de zumbis. Era algo bem descompromissado, e apesar de eu gostar do processo, eu odiava o resultado. Por isso, dificilmente eu seguia com alguma história até o fim. Até que, aos quinze, eu tive uma ideia de um romance policial e coloquei na cabeça que eu precisava ir até o fim, mesmo que no meio eu estivesse desestimulado. Foi mais um exercício de persistência do que de escrita, e o importante é que eu mantive o objetivo e terminei. Foi muito importante para mim — nem muito pela qualidade da obra, mas porque provou que eu conseguia suportar a rotina e passar as ideias da cabeça para a tela do computador. Depois, comecei e terminei outro livro, que também considerei imaturo no final. Só aos 19 anos, quando já estava cursando jornalismo, é que eu comecei a escrever o que se tornou meu primeiro romance publicado, Colega de Quarto.

 

R.I.: Comente um pouco a obra Colega de Quarto. Como e quando foi o processo de criação desta história?

@boninivictor: [Retrospectiva para o ano de 2012, quando eu fazia jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e por isso morava sozinho na Avenida Paulista, em São Paulo.
O prédio onde eu morava era um daqueles bem antigos da região, com vários apartamentos por andar, e por isso eu acabava escutava barulhos o dia inteiro. Eu nem sabia se vinham da rua ou dos meus vizinhos. Eu então comecei a pensar na história de um estudante morando sozinho que não apenas escutava barulhos durante a noite, como também via pelo apartamento sinais de que havia mais alguém morando com ele. Pensei numa trama com um final interessante e comecei a escrever sem compromisso nenhum, pensando: “Vale um conto e está ótimo”. No fim, me empolguei. Acabou virando um romance.

 

R.I.: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

@boninivictor: Fui pesquisando conforme escrevia. A maior parte da pesquisa foi relacionada à operação das polícias em São Paulo. Li artigos e entrevistei alguns delegados para entender o funcionamento de uma investigação. Também fiz consultas com o Conselho de Psicologia e seu código de ética para aprender sobre doenças psicológicas e boas práticas no ramo — ambos temas que vêm à tona no livro. De resto, não havia muito mais o que pesquisar, já que o prédio onde se passa o livro e os personagens foram criados por mim. Escrevi entre dezembro de 2012 e setembro de 2013. Depois, começaram os meses de revisão, edição e infinitas releituras.

 

R.I.: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial em seu livro?

@boninivictor: Essa parte marca a metade do livro, e acompanha uma das personagens que mais gosto, a Olga, uma senhora elétrica e sozinha no mundo que não pensa duas vezes antes de acatar a um pedido absurdo do detetive particular Conrado Bardelli: ela aceita chantagear um suspeito para conseguir informações úteis à investigação. Ela acabou de fazer isso e está seguindo para o próprio apartamento quando:

 

Enfim, o elevador atingiu o térreo. Olga puxou a pesada porta, entrou e apertou o botão do décimo sétimo andar. Quando a porta estava se fechando, uma voz alta veio lá de fora:

—Sobe!

Olga entendeu imediatamente aquele código e segurou a porta, abrindo passagem para a pessoa que antes gritara.

—Ah, olá! —Olga cumprimentou, esbanjando cortesia.

—Boa noite, dona Olga! Ainda acordada? Tarde…

—Pois é… É que tive que resolver umas coisas agora à noite. —E sorriu, simpática.

—Sei, sei.

—Na minha idade, é bom se manter ativo, sabe? Senão a gente fica gagá!

Gargalharam de maneira agradável. Olga terminou:

—Mas posso confessar uma coisa? Mal posso esperar para colocar o meu pijama e capotar.

—Ah, vá sim.

E o elevador chegou ao décimo sétimo andar.

—Uma boa noite —Olga se despediu.

E foi então que ela se tocou de algo esquisito. A pessoa que estava no elevador junto dela não havia pressionado nenhum botão no painel. Ela estranhou.

—Mas você não mora na outra torre?

Olga Lafond percebeu seu erro somente nesse momento: quando a mão portando uma sólida barra de metal desceu sobre sua cabeça.

 

R.I.: Comente um pouco sobre a obra O Casamento.

@boninivictor: Eu já tinha ouvido que o segundo livro é sempre mais difícil que o primeiro. Para um autor, significa que você precisa se superar. E eu resolvi considerar isso como um desafio saudável. Quis fazer uma história maior em vários sentidos — mais longa, com mais profundidade e se passando em um período de tempo maior, com desenvolvimento dos personagens. Cresci muito como autor durante o processo de criação de O Casamento, e isso eu observei inclusive pelo feedback dos leitores, que me disseram que amadureci na escrita e na forma como o mistério se resolve no final. Foi tão desafiador que eu tive que parar no meio da história e escrever outras coisas — contos, ideias diversas — para conseguir fôlego novo e terminar o livro. O resultado foi extremamente recompensador para mim. Sinto que consegui cumprir aquilo a que tinha me proposto. E mesmo nas falhas, fico feliz por identificar onde posso melhorar para me lembrar disso nos próximos livros. Em 2018, O Casamento venceu o prêmio de melhor romance policial do prêmio ABERST de literatura.

 

R.I.: Comente um pouco sobre a obra Quando ela desaparecer.

@boninivictorQuando Ela Desaparecer teve um desenvolvimento bem diferente dos outros. Eu escrevi o conto que deu origem a este livro no período de pausa entre uma metade e outra de O Casamento. Era para ser um conto rápido que, no final, deu numa novela de cem páginas. Eu gostei do resultado e deixei ele de lado por um tempo. Cheguei até a oferecer ao meu editor numa coletânea de contos, mas ele achou melhor não lançar naquele momento e sugeriu que eu focasse em terminar O Casamento. Pois bem, um ano depois, quando já tinha lançado O Casamento, tomei um café na casa dele para conversar sobre próximos projetos. Apresentei as ideias de novos livros e ele deixou tudo na mesa, à minha escolha. Mas eu estava ainda em dúvida sobre qual caminho seguir. Então ele perguntou daquela novela que eu tinha escrito e que tinha dado cem páginas (lembro de como ele falou: “Pelo amor, conto de cem páginas não existe, isso é um livro”). Ele sugeriu que eu trabalhasse em cima daquela ideia e fizesse um romance, mesmo que pequeno. Inicialmente eu não quis. Disse que não conseguia pensar em nada para melhorar o livro, e que não iria “inflar” a história apenas para caber no formato. Mas mordi a língua. Saindo da casa dele, já comecei a pensar nas possibilidades e uma delas me intrigou tanto que eu logo comecei a trabalhar no projeto. Quando Ela Desaparecer foi o livro que escrevi mais rápido. O conto saiu em um mês, e a transformação de conto para livro durou uns cinco meses. O feedback não poderia ter sido melhor. E a boa notícia é que um mês depois do lançamento, a produtora Clube Filmes comprou os direitos de adaptação da história para série de TV. O projeto ainda está em produção.

 

R.I.: Qual é seu personagem favorito de todas as obras? Por quê?

@boninivictor: Difícil… Gosto de criar personagens e brincar com as reações deles, e com isso acabou tendo vários queridinhos. Mas acho que o meu favorito é o Conrado Bardelli, investigador-protagonista que aparece nos meus três livros. Criei o Lyra (apelido que dei a ele sei lá por quê) querendo fazer um detetive humano e falho, ao mesmo tempo bem-humorado e com quem as pessoas pudessem simpatizar. Ele também tem uma aura meio misteriosa: é um cara sozinho que solta informações sobre um passado sofrido de vez em quando. Gosto de revelar esse passado aos poucos ao longo dos livros. Assim, a história dele é como um fio que une os meus títulos (cujos casos são independentes).

 

R.I.: Quem são os seus ídolos na literatura?

@boninivictor: Fui acrescentando nomes na lista ao longo da minha vida. Começou com J.K. Rowling (sou da geração Harry Potter) e logo veio Agatha Christie (que fez eu me apaixonar pelo romance policial). A partir daí, entrou Rubem Fonseca, Dennis Lehane, Gabriel García Márquez, Patrícia Melo, Stephen King, José Saramago, Nelson Rodrigues, Margaret Atwood, Ruth Rendell e Patricia Highsmith. Todos eles escreveram livros que, de alguma forma, me mudaram.

 

R.I.: Existem novos projetos em pauta?

@boninivictor: Sempre! Mesmo que eu tenha momentos de maior ou menor produção literária, eu simplesmente não consigo desligar o botão na minha cabeça que faz as ideias pararem de vir. Desde que entrei no mercado editorial, ouço de outros autores algo muito parecido com o que sinto: que um escritor escreve porque não consegue deixar de escrever.

  

Links interessantes

Playlist para escrever Trilha sonora dos filmes de Harry Potter (sem brincadeira).

Ferramenta para escrever Computador e caderno para anotar coisinhas que se eu não anotar, eu esqueço depois.

 

Sinopses:

Colega de Quarto

Eric Schatz se muda para São Paulo para cursar direito e finalmente morar longe dos pais controladores. Mas no apartamento onde ele vive sozinho, acontece o inexplicável: surgem indícios de que há mais alguém morando com ele. Primeiro, coisas pequenas, como um par de chinelos novos, uma escova de dentes desconhecida. Mas então o micro-ondas liga sozinho, sem mais nem menos, barulhos invadem o apartamento durante a noite e as luzes parecem ter vida própria. Até que, em determinada noite, Eric enxerga o vulto do colega de quarto entrar em seu apartamento pela porta da frente. Desesperado, ele vai atrás de um detetive particular, mas parece ser tarde demais. Em menos de 24 horas, depois de uma ligação cortada abruptamente, Eric despenca da janela do seu apartamento. O suicídio é posto em xeque quando o mesmo detetive, Conrado Bardelli, descobre que a relação familiar complicada é a fachada de uma série de segredos. E que os falsos amigos de Eric teriam muito a ganhar com uma brincadeira aparentemente inofensiva…

“Victor Bonini escreveu um delicioso romance policial contemporâneo – a princípio, a história parece até sobrenatural, mas, conforme nos aprofundamos em seu universo bem arquitetado, somos apresentados a vários possíveis assassinos e a revelações inusitadas.” —Raphael Montes, autor de A Mulher no Escuro

 

O Casamento

VENCEDOR DO PRÊMIO ABERST DE MELHOR ROMANCE POLICIAL DE 2018

PARA OS NOIVOS,É O DIA MAIS IMPORTANTE DE SUAS VIDAS

Meses atrás, os amigos diriam que o namoro de Plínio e Diana tinha prazo de validade. Eles se conheceram de um jeito bizarro, pensam diferente e as famílias não aprovam o relacionamento. Mas eles resistiram. E agora vão se casar.

PARA O DETETIVE, É A MELHOR CHANCE DE PEGAR UM CRIMINOSO

Na festa, o mais íntegro dos convidados esconde um segredo devastador. Mas alguém sabe e o está chantageando. É então que o detetive Conrado Bardelli se hospeda no hotel onde ocorrerá o casamento. Ele precisa descobrir o lobo entre as ovelhas, e rápido, pois a cada nova ameaça, o chantagista eleva o tom.

O CASAL ESTÁ PRONTO PARA O SIM. A NOIVA SE PREPARA PARA ANDAR PELO TAPETE VERMELHO. ATÉ QUE ALGUÉM DIZ: NÃO SAIA DO CARRO.

Enquanto a plateia espera ansiosa em frente ao altar, algo brutal acontece na antessala. Quando veem as paredes lavadas com sangue, os convidados se rendem ao desespero. Agora, Bardelli é o único capaz de encontrar respostas. O problema é que as mortes não param de acontecer…

“A trama de Bonini é como um quebra-cabeça que vai se tornando mais perigoso e sangrento a cada página.” –Rodrigo de Oliveira, autor da série As Crônicas dos Mortos

 

Quando Ela Desaparecer

DIREITOS VENDIDOS PARA PRODUTORA CLUBE FILMES

Uma garota de dezesseis anos desaparece durante uma excursão escolar. Mas não se trata de qualquer garota. Dois anos atrás, ela esteve à beira da morte, e quando foi encontrada, ninguém acreditou que sobreviveria. Agora, há dois meses desaparecida, não restam dúvidas de que esteja morta. Rastros de sangue e um colar arrancado são as únicas pistas. Pressionados, os policiais estão desesperados por respostas, mas ninguém na longa lista de suspeitos parece ter motivação forte o suficiente para cometer um crime. Até que o caso vira de cabeça para baixo e segredos muito bem enterrados emergem para revelar o lado cruel de um lugar aparentemente tranquilo. No meio de tantos possíveis culpados, os inocentes é que estão mais aflitos… porque alguns deles começam a morrer.

“Um livro rápido, furioso, repleto de reviravoltas e surpresas que farão você se perguntar: “o que foi isso que acabou de acontecer?”. Um thriller viciante. Fãs de suspenses inteligentes e com personagens marcantes vão comemorar.” –A.J.Finn, autor de A Mulher Na Janela

“Acelerado e impossível de largar!” –Charlie Donlea, autor de A Garota do Lago

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